Coletivo RIDDIMS

24/10 | 19h | Teatro B. de Paiva - Porto Dragão - Fortaleza
ANO DE 
CRIAÇÃO
2019
DURAÇÃO
50 min
CLASSIFICAÇÃO
INDICATIVA
18 anos

Baculejo

As Danças Afro-diaspóricas de contextos periféricos, entendidas popularmente como Danças Urbanas, surgiram a partir dos movimentos das classes menos favorecidas, que viviam em bairros de maior concentração de negros e latinos nos Estados Unidos na década de 70, onde lutavam contra a opressão e buscavam a liberdade expressiva de seus corpos. Aqui no Brasil não foi diferente, o Funk e a Swingueira são exemplos de danças que emergiram das periferias e que compartilham de contextos sociais parecidos com os vividos nos países do hemisfério norte. Nesse sentido, entendemos essas danças que nos dançam como pontos de partida para enxergarmos quem somos, e traçarmos uma relação entre as dimensões artísticas, políticas e espirituais que rodeiam o nosso ser, fazendo, de nossos passos, rituais de afirmação dos corpos que nos habitam.
Nesse ritual cênico, abrimos os caminhos para aproximar o sagrado do profano, a periferia do centro, o bom humor da tragédia. Sim! São essas as misturas que acontecem no Brasil, em nossos corpos e que refletem na dramaturgia dos corpos em cena. Ao darmos de cara com a cena nos deparamos com um reflexo da realidade, somos abordados e colocados contra a parede e precisamos mostrar quem somos, o que carregamos, de onde viemos e para onde vamos, tal qual um baculejo policial cotidiano.
Os artistas urbanos-caboclos-periféricos abrem seus trabalhos trazendo para a cena movimentos que se moldam no decorrer do tempo espaço, velas, cânticos e discursos políticos que se misturam ao som de suas memórias.
Este ritual cênico é uma gira de autoafirmação que enfatiza a existência de todos os corpos materiais e imateriais que compõem a nossa identidade, usando como principal ferramenta nossas trajetórias nas Danças Urbanas, ligadas às nossas trajetórias na vida, onde incorporamos suas dimensões artísticas, políticas e espirituais.

Coreografia Coreano (Luiz Paulo Aragão), Erick Flor, Miky Vitorino (Jacqueline), Raffael Tomaz e Um Artista Periférico (Ângelo William)

O Coletivo RIDDIMS é um espaço de desdobramento das danças afro-diaspóricas periféricas nas suas dimensões políticas, espirituais e poéticas que deseja ratificar a importância dessas danças e das ancestralidades dos corpos urbano-periféricos. O projeto nasce de uma vontade do artista Erick Flor em traçar um pensamento político sobre a dança que estuda, o Dancehall, e a partir do momento em que o projeto integra o Laboratório de Dança da Escola Porto Iracema das Artes de 2019, Raffael Tomaz e Maria Isabel passam a integrar a pesquisa e o projeto amplia o repertório de movimento abrangendo diversas outras danças entendidas como “urbanas”.
No ano de 2019, o projeto RIDDIMS realizou dois eventos com “Cyphers” e Aulas de Dancehall, chamado de Batida. Também produziu o trabalho cênico Baculejo, que teve a tutoria de Leonardo França.

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